Portugal e Espanha decidem: na bitola ibérica não se mexe
Neste episódio do Sobre Carris, o debate começa com o facto de que nem Portugal nem Espanha têm interesse real em abandonar a bitola ibérica e migrar a sua rede ferroviária para a bitola europeia. O Governo espanhol calculou que a transição de toda a sua rede para a bitola europeia exigiria um colossal investimento de 30 mil milhões de euros ao longo de 30 anos, tornando inviável qualquer tipo de operação deste género. Mas a bitola não é um problema: o verdadeiro obstáculo à interoperabilidade e às exportações não reside na distância entre carris, mas sim em graves problemas de sinalização, de telecomunicações (e até de linguagem) e nas diferentes tensões de electrificação. No que toca ao concurso para a aquisição de novos comboios de alta velocidade para a CP, onde apenas a Alstom e a Talgo foram a jogo, ficamos a conhecer as propostas das duas construtoras e e a decisão da CP de prescindir de um bar a bordo. Optando apenas por máquinas de vending, a CP pode estar a cometer um erro estratégico grave que prejudica a experiência de viagem. Isto acontece numa altura em que a espanhola Renfe se prepara para entrar em força no mercado nacional com os comboios Avril, equipados com bar completo, e em que a B-Rail (do Grupo Barraqueiro) tenta assegurar um acordo-quadro de canais horários junto da IP para obter previsibilidade no seu investimento privado. A actualidade fica igualmente marcada pelo anúncio da extensão do Passe Ferroviário Verde - que tem um valor 20 euros mensais - aos comboios suburbanos de Lisboa, do Porto e à Fertagus. Uma promessa do primeiro-ministro, Luís Montenegro, na festa do Pontal. Mas incentivar a procura sem qualquer reforço de oferta, pode gerar um autêntico "caos" nas horas de ponta em serviços que já circulam hoje bastante sobrelotados. Será esta mais uma medida "populista" por focar-se no embaratecimento da procura sem acautelar a capacidade da infra-estrutura e a qualidade do serviço público? Neste episódio olhamos ainda para a situação da Linha do Oeste, que continua com a circulação interrompida a sul das Caldas da Rainha. A IP só contratou os trabalhos de reparação seis meses após as intempéries do ínicio do ano, estimando-se agora que a reabertura total da linha, e, previsivelmente, já com tracção eléctrica parcial, ocorra apenas no início de 2027. Por fim, o Sobre Carris assinala o centenário da electrificação da Linha de Cascais, celebrado neste mês de de Agosto. Esta que foi a primeira linha ferroviária do país a abandonar a tracção a vapor, através de um investimento privado de Fausto Figueiredo que constituiu a primeira parceria público-privada nacional. Ainda assim, esta efeméride histórica foi completamente ignorada e votada ao silêncio pelas administrações da CP e da IP. See omnystudio.com/listener (https://omnystudio.com/listener) for privacy information.

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